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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) recebeu há duas semanas o reforço de profissionais de enfermagem do Hospital do Coração – HCor e da Beneficência Portuguesa. Os profissionais estão atuando no Instituto Central (ICHC) em apoio na operação de mais 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Fonte: Superintendência Corporativa do HCor

Vanessa, Nilson, Ricardo, Paulo, Rosangela, Priscila, Marcia e Antonio. Esses são nomes de alguns colaboradores que não fazem parte da estatística de pacientes internados e que receberam alta após tratamento contra o COVID-19 no Hospital das Clínicas da FMUSP porque se recuperaram em isolamento em suas residências ou em outro hospital. Mas, assim como Andressa Borges (42 anos), fazem parte do time de colaboradores que venceram o novo coronavírus.

Andressa, Secretária da Divisão de Otorrinolaringologia, passou 15 dias internada, sendo 10 deste período em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no 9º andar, do covidário – o Instituto Central (ICHC), que desde o dia 30 de março atende exclusivamente pacientes com COVID-19.

No dia de sua alta, em 19 de maio, ela se tornou símbolo de um marco histórico para a Instituição e o Estado de São Paulo – foi a milésima paciente a voltar para casa curada.

Sob os aplausos da Diretoria Clínica, Diretoria Executiva, equipe assistencial e colegas do HC, Andressa foi conduzida com muita emoção e alívio à sala de espera, no 4º andar do Prédio dos Ambulatórios (PAMB), para o encontro com os seus pais. Entre lágrimas, sorrisos e muita gratidão, o totem eletrônico com o números de pacientes em alta somou mais 1, marcando 1.001. E até o fechamento desta edição, a marca já estava em 1.184 altas.

Confira o vídeo do momento do encontro da Andressa com seus pais.

A relação entre causas e efeitos é o desafio da espécie humana desde que ela surgiu. Se conhecemos a causa podemos evitar o efeito (efeitos maléficos) ou provocar o efeito (efeitos desejáveis). Tratamentos médicos têm esse desafio: o tratamento deve ser a causa da cura.

A associação de dois eventos pode não significar uma relação de causa-e-efeito. O exemplo clássico, ensinado nos primeiros anos da Faculdade, é o da cama: mais de 95% das pessoas morrem numa cama, mas isso não significa que, se todos nunca nos deitarmos na cama, seremos imortais. Há uma associação, mas a cama não é, obviamente, a causa da morte. 

A ciência não é opinião e consiste exatamente em estabelecer relação de causa-e-efeito. Muitas observações podem ser feitas sobre exames e medicamentos em relação à Covid-19, mas estabelecer uma relação correta requer método científico e ética.

O método científico tem alguns recursos para isso: quando o método é experimental em laboratório, existe a contraprova. Usa-se um método, observa-se o resultado, depois retira-se o método e observa-se se o resultado foi diferente. Mas isso não é possível em pesquisa clínica com pacientes.  

A pesquisa clínica usa outras ferramentas; consiste em coletar dados e analisá-los para tomar uma decisão, quer seja um medicamento ou outra intervenção terapêutica. A principal ferramenta se baseia nos estudos controlados. Nesses estudos, há um grupo para o qual é dado o tratamento e outro para o qual não é dado (chamado de grupo controle). O desafio é garantir que os dois grupos sejam parecidos em diagnóstico e gravidade e que tenham recebido o mesmo tratamento, com exceção daquele que está sendo estudado. Isso é difícil, mas se consegue com recursos de estatística. O resultado é analisado para saber se há efeitos indesejáveis e eficácia no tratamento.

Para que a estatística nos dê uma probabilidade alta de um resultado corresponder à verdade, é preciso um número grande de pacientes. Quanto maior o número, maior a confiança no resultado. Por isso, esses estudos são feitos com centenas ou milhares de pacientes. Para obter número grande de casos, num estudo, a ciência tem dois métodos: realiza o estudo durante anos ou reúne vários hospitais, somando os casos.

O desafio da pandemia é exatamente esse. Reunir vários centros para uma pesquisa rápida é difícil, pois cada centro médico do mundo está focado em tratar seus pacientes graves e achar soluções rápidas. Se um centro médico quiser fazer uma pesquisa com grande número de casos, levará mais tempo do que a pandemia e poderá interromper o estudo, por falta de casos, quando ela passar.

Por isso, todas as pesquisas de que dispomos até agora no tratamento da Covid-19 foram feitas com número pequeno de casos e de baixa confiança estatística. Esse instrumento de análise não dá certezas, mas apenas probabilidades. Ele nos diz se é provável que o tratamento seja eficaz ou se isso não é provável. E mais: nos diz se é muito provável ou pouco provável. Isso depende do número de casos, mas também do cuidado com que os grupos de pacientes foram separados.

Sabemos que raramente existe um tratamento específico para as infecções virais, principalmente as doenças virais que acometem o sistema respiratório. Desta forma, diante do índice alto de contágio e de casos de infecção grave e morte, o desespero, não só da equipe da saúde mas de toda a população, impede em muitos momentos a racionalidade e atropela a ciência e os estudos clínicos.

Nenhum médico gosta de perder pacientes. E ninguém gosta de perder familiares ou amigos; logo, parece óbvio que não podemos medir esforços para tratar esses casos com o que estiver ao nosso alcance. 

Entretanto, nesta pandemia, ainda não existem estudos que permitam dizer que um tratamento seja muito provavelmente eficaz. Existem algumas pesquisas que apontam para um resultado positivo, mas ainda com pouca probabilidade de estarem certas. É claro que qualquer nova ideia deve ser considerada, mas não há verdade científica sem estudos grandes e bem feitos.

Assim sendo, a indicação de um tratamento também depende muito destes riscos. Existem outros aspectos importantes a serem considerados na pesquisa; por exemplo, o momento que a medicação foi utilizada no estudo. Às vezes, a medicação pode ter efeito só no início da doença ou, ao contrário, o efeito pode ser mais eficaz quando a doença está em plena manifestação. Assim, os resultados podem se mostrar positivos em um determinado estudo, mas não se aplicarem a todos os pacientes na prática clínica, uma vez que o estudo pode ter selecionado pacientes com menor gravidade ou perfis diferentes de pacientes.

A indicação de um tratamento também depende dos efeitos colaterais. A pergunta que os médicos sempre ouvem é: por que não tentar? A resposta é: depende. Se alguém quiser tomar medidas tais como usar cores diferentes nas camas ou fazer correntes de pensamento, isso pode funcionar ou não, mas a ciência não se opõe; porque essas medidas não causariam nenhum mal. Porém, quando se trata de remédios que têm efeitos colaterais, é preciso mais cautela. Esse é o dilema da Medicina. É preciso ter um grau razoável de certeza, ou o remédio pode ser pior do que a doença.

Quando termina a pesquisa, o cientista tem que comunicar ao mundo o que descobriu. Isso é feito através de revistas médicas especializadas neste assunto. Por quê? Porque essas revistas médicas avaliam se a pesquisa foi conduzida de acordo com métodos confiáveis. Faz uma revisão por pares. Pares são pessoas semelhantes ao pesquisador, que trabalham na mesma linha de pesquisa e que declaram não ter conflitos de interesse econômicos ou de outra ordem com o estudo em questão. Eles avaliam o método e a estatística e, se acharem que está bem feito e pode contribuir para o conhecimento, publicam para que toda a comunidade médica possa ler. Veículos como mídia social e imprensa não usam esse crivo.  

Cada médico é livre para prescrever ao seu paciente. Pode usar medicamentos que ainda não tenham comprovação científica de eficácia. Isso se chama uso off-label. Nesse caso, porém, deve explicar que não é cientificamente comprovado, e o paciente ou a família (quando for o caso) deve autorizar, preferencialmente por escrito. Se prescrever um tratamento que não tem eficácia comprovada sem avisar o paciente ou dizendo que é cientificamente comprovado, é erro médico.

A Faculdade de Medicina da USP está conduzindo várias pesquisas sobre a Covid-19. E também tem sido chamada para opinar sobre pesquisas que mostram resultados de novos tratamentos. Os tempos são difíceis. A maioria das pesquisas foi feita com número pequeno de casos. Por isso, algumas mostram bons resultados com um medicamento e outras mostram que o mesmo é ineficaz.

Muitos pesquisadores preferem divulgar pela via mais rápida, que são as redes sociais, mas esse caminho não é o correto e não permite que os demais possam conhecer detalhes da pesquisa para avaliarem se foi bem conduzida. Algumas mostrarão, no futuro, que estavam certas. Muitas terão o destino do esquecimento por estarem incorretas. Há muita gente, no mundo todo, procurando soluções para salvar vidas.

 E também há alguns procurando apenas fama. Ou outros que possuem interesse econômico ou mesmo político. A maneira de diferenciar é conhecer a pesquisa em profundidade e avaliar se foi feita de maneira correta. Só quem tem experiência em pesquisa pode fazer isso. O resto é pirotecnia. 

Manifesto do Colegiado dos Professores Titulares da FMUSP

 

Como nasce a inovação na área de Saúde? Como promover uma transformação do mindset dos colaboradores e partir para o chamado mercado 4.0? Como buscar novas soluções disruptivas e aplicá-las de forma rápida? O que de fato é a nova economia para os profissionais de saúde? Será que meu negócio pode acabar se eu não mudar hoje?

Essas e outras questões rondam as grandes empresas de forma cada vez mais constante e sobretudo em momentos de crise, nos quais a ordem é se reinventar.

Nessa live, parceria do Inova-HC e Distrito, referente ao Eixo Inovação em Saúde - Cultura de Inovação, um dos sócios do Distrito - maior comunidade de inovação independente do País -, Gustavo Araujo, conversa sobre estes temas, mostrando as tendências, o que as empresas devem fazer e como se aplicam, gerando inovação todos os dias.

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